A despeito de existirem ratos-da-Índia, hamsters e ratos brancos domésticos, servindo como animal de estimação, a semiótica da espécie como um todo remete a sentimentos de asco e repulsa, dado o ambiente em que costumam viver e os hábitos típicos da espécie, como o ataque predatório aos alimentos, havendo informações que espécies gigantes comam até mesmo seres humanos vivos na África do Sul.

Se houver ratos em uma casa, basta um vacilo com a despensa aberta à noite, e eles irão atacá-la vorazmente. Diz-se que não resistem ao cheiro de bacon, sendo uma isca para fazê-los sair da toca e cair em alguma armadilha, talvez até à luz do dia, se a fome for suficiente. Muitos brasileiros, ainda que não estejam famintos, são capazes de realizar saque à luz do dia, diante de todos – câmeras, testemunhas, vítimas… Aliás, já foi mencionado anteriormente que participar de saques ou linchamentos deve ser o sonho de muitos filhos desta terra.

Em 24Jan12, na Rodovia Régis Bittencourt em São Paulo, tombou um caminhão com frango e linguiça, rapidamente surgiram inúmeros populares, alguns deles viajantes que transitavam pela rodovia, os quais, de modo desavergonhado, iniciaram o saque da carga felizes e sorridentes, comemorando a renda extra ilícita ou o churrasco gratuito que conseguiram. Policiais rodoviários federais consideraram desaconselhável o emprego das armas de fogo que portavam diante daquela multidão, composta inclusive por mulheres e crianças. “O policiamento local foi acionado para conter o tumulto”.

Já na Rodovia Imigrantes, também em SP, neste mesmo dia, o saque da carga de laticínios de outra carreta que também tombou foi evitado por policiais militares, que impediram os interessados de praticar tal conduta ilícita.
Na Bahia o mesmo quadro, em 22Jan12 uma carreta carregada de água mineral foi saqueada após tombar na BR-324, sendo interrompida a ação por policiais militares e civis. Palavras do motorista do veículo: “Veja isso aí e denuncie o saque de cargas nas estradas. Eu estou sozinho, o que vou fazer? Se eu for reagir aqui, eu posso até levar porrada. Então, é melhor não reagir”, Palavras de PM que atendeu a ocorrência: “O que foi levado, nós não podemos fazer nada, mas de agora em diante ninguém vai mais pegar nada”.

Alguém duvida que a boa parte desses elementos seria capaz de passar por cima do corpo desfalecido de alguma vítima, ou deixar de lado o obrigatório socorro aos necessitados, em busca de subtrair a maior quantidade de material possível? Não adianta alegar que, no primeiro, a carga era perecível e refrigerada, já que logo chegou outro veículo em condições de transportar o material sem risco de perda. Não há como justificar o saque de água mineral, o ocorrido passou longe de um deserto ou caatinga sertaneja em seca agreste.

É a representação pura e simples da cultura predominante de um povo que não está habituado à transmissão de certos valores e princípios como os que deveriam ser lembrados diante dessas circunstâncias. Mais e mais casos se repetirão, com maior interesse se a carga for de bebida alcoólica, e sem despertar muita atração se for um baú cheio de enciclopédias e dicionários, por exemplo.

Se esses saqueadores fossem policiais, será que não seriam do tipo que guarda para si certas apreensões? Ou que seriam capaz de agir em defesa da carga alheia, desde que lhe fosse garantida alguma recompensa? Dúvidas… Fáceis de responder.

É da natureza humana? Talvez não, afinal o Japão, em circunstâncias calamitosas após terremoto, tsunami e tragédia nuclear em 2011, ao menos segundo a imprensa internacional, não testemunhou casos de saques como os do pós-terremoto no Haiti em 2010 – ou do Brasil pacífico de janeiro de 2012. As razões? São citadas nesse texto no G1, e dá para acreditar no que se lê, não é tanta novidade assim. Em resumo, neste aspecto, eles dão sinais de serem muito, muito diferentes do povo brasileiro.

Mas soteropolitanos já estão chegando neste patamar, o policiamento aplicado agora nas recém-criadas Bases Comunitárias de Segurança é baseado no sistema Koban, um modelo japonês. Se depender da polícia, a distância está cada vez menor: breve, Japão e Salvador, Bahia, Brasil, em patamar de igualdade.